sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
The queen is dead
Meus ícones de estilo e elegância certamente não estão em sintonia com o que pregam os descolados da moda, e quando eu vejo esse tipo de entrevista, respiro aliviada, preparo um chá, morro de saudades da Vivienne Westwood, essa sim, alguém que soube ser punk quando isso ainda fazia sentido.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Fashion victims
Uma das melhores coisas de trabalhar em editora é a quantidade de informação a que ando tendo acesso. Biografias, autoajuda, tudo ganha um sabor e pode ser revertido em conversas de bar e afins. Essa semana caiu nas minhas mãos um livro que me impressionou e deixou minha cabeça fritando. Como ainda não foi publicado lá fora, não posso revelar muito a respeito. Trata-se de uma extensa pesquisa sobre nossos hábitos de consumo e propõe que repensemos nossas necessidades na hora de compor nossos armários.
A autora levanta questões relevantes, que andam em pauta e que atendem, geralmente, pelo nome de “consumo consciente”. É fácil reduzir isso a máximas como “compre em brechós” ou “troque roupas com as amigas” etc. Mas as camadas da engrenagem são muito mais complexas do que apenas usar tecido de bambu pra fazer lingerie.
Quando trabalhava com estilo eu já achava todo esse papo de viscose bem esquisito. Como é que do nada todo mundo resolveu fazer malha e algodão de bambu ou eco-alguma coisa? Só porque a fonte da matéria-prima é renovável, então estamos comprando roupas “verdes”? Adianta usar fibras ecologicamente corretas se no processo de transformação, venda, costura, transporte etc. usamos rigorosamente a mesma metodologia dispensada a toda a linha de produção? Se a sacola da loja é de plástico? Ou se é de lona fabricada por chineses?
Entre mil apontamentos e dados alarmantes de todo o impacto que o fenômeno do fast-fashion causou mundo afora, a autora conta casos que parecem piada, tipo a icônica “I’m not a plastic bag”que apareceu por volta de 2007 e que gerou a febre das ecobags ao redor do planeta. Consta que a criadora da bolsa fechou acordo com uma grande rede de lojas inglesa, que vendia a mesma e a entregava às clientes após o pagamento numa sacola de plástico. Tchã nã. Além disso, sim, a sacola foi produzida na China.
Outro contrassenso é pensar que o conceito de fast-fashion é a exata antítese do conceito de estilo, e do que a moda deveria representar. Se gostamos de roupas pelo que elas expressam de nós, então a última coisa de que precisamos é cair em armadilhas do tipo “tem que ter” ou “it bag” ou “status shoes” ou whatever expressão afetada e cafona que as editoras de moda inventem. Não faz nenhum sentido cultivarmos os mesmos ícones de estilo, os mesmos desejos e andarmos todos de espadrilles nesse verão porque esse é o último grito. Seriously. Tá na hora de diferenciar moda de consumo. E parar de ler a Vogue, não só porque é ruim, mas porque a gente também não precisa da Anna Wintour corroborando para a matança de animais em nome de peças feitas com pele de mink. É o fim da picada e so last século.
Complica para o lado de quem quer consumir com mais ética. Preços altos não são sinônimos de mão-de-obra bem remunerada, o que hoje é o principal problema. Foi outro dia que um fornecedor da Zara foi denunciado por trabalho escravo. A denúncia contra as crianças que trabalhavam pra Nike tem tanto tempo que a gente nem lembra mais, e de lá pra cá, parece que tudo piorou por aí. A Nike adotou políticas e fiscalizações pra minimizar os problemas. A Gap fez a mesma coisa. Ambas toparam também um acordo de transparência com os clientes em que se comprometem a informar, fiscalizar e analisar a cadeia de produção. Complicado quando pensamos que isso envolve fábricas nos recantos mais pobres do mundo. Mais complicado ainda quando a gente sabe que muitas das "it bags" falsas que se compram por aí são peças que não passaram no controle de qualidade das próprias fábricas que as confeccionam.
Nós temos poucas ferramentas pra saber a real procedência das coisas que consumimos. Mas as notícias tristes estão por aí, dando nome e expondo diversas marcas cujo mote principal é vender a qualquer (baixo) custo. Ficar um ano sem Zara pra alimentar umbigo é fácil. A gente vai escolher qual motivo?
terça-feira, 19 de julho de 2011
Princesas
O meu desenho Disney favorito sempre foi A Bela Adormecida. Durante a infância, porém, eu responderia que era A Pequena Sereia. Fato é que depois de adulta A Bela Adormecida tem mais apelo. O fato de Ariel abandonar seu reino, sua família, toda a sua vida, abrir mão do seu mundo por um príncipe, isso passou a me incomodar. Qualquer um poderia argumentar que o mesmo acontece com Sandra Dee, que larga tudo e muda seu visual, seu comportamento e até começa a fumar por causa do Danny. Estou falando de Grease. E embora o discurso caminhe para a queima de sutiãs, gostaria de dizer que não sou tão feminista assim. Por alguma razão (ou por algumas canções? Ou por muito laquê? Ou pelo John Travolta jovem?) eu perdoei Sandra Dee, mas a Ariel ficou um pouco atravessada.
Mas o que eu queria dizer é que A Bela Adormecida passou ao topo do pódio pelas razões mais óbvias: o vestido, o fato do vestido ficar bem em diversas cores, o sono (que delícia seria hibernar por tanto tempo) e a bruxa mais estilosa de todos os tempos.
Aurora e a bruxa originais.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
that's why the lady is a tramp
Eu tinha um vestido plissado que voltou da lavanderia liso como uma escova progressiva. That's it: drama que caberia num tweet.
terça-feira, 24 de maio de 2011
You know one when you see one
O meu guia era categórico: Prenzlauer Berg era o bairro dos hipsters em Berlin. Curiosa pra saber se um hipster é um hipster em toda parte do mundo, fui eu rumo ao tal bairro esperando encontrar Berlinenses em calças skinny, leggings coloridos da American Apparel, fones Marshall, óculos Wayfearer e mais todos os artefatos que caracterizam nossa noção do que se estabeleceu como hipster.
No imaginário coletivo, sobretudo entre os fashionistas, um hipster é o que se convencionou encontrar em Williamsburg: jovens de visual “engraçado” que gostam de indie rock, curtem o Dave Eggers, consomem design, cinema e moda e que negam tal denominação. Eles tem um visual meio artsy e são cercados de certa aura boemia que poderia vir do mix de um encontro imaginário entre um beatnik e um hippie. Em sua maioria, porém , os hipsters são estudantes financiados por seus pais. Ser um hipster inclui recusar até a morte tal etiqueta.
Uma rápida olhada pela Wikipedia anuncia, porém, que o termo vem dos anos 40, que tem origem nos Estados Unidos pré-Civil Rights e que estava associado aos negros e questões raciais. Como é que então a mesma palavra foi eleita para a geração dos anos 2000?
Essa e mais uma série de perguntas foi levada a uma plateia de discussão em simpósio ocorrido em 2009, na New School de Manhattan. Os condutores do estudo, que pretendia deixar para a posteridade um retrato apurado do que era o hipster na virada do milênio, além de decretar sua morte, eram os editores da revista n+1, rotulada como hipster por não-hipsters. Confuso? Ainda nem começou.
What WAS The Hipster – A Sociological Investigation é o livro que supostamente sepulta hipsters mundo afora, e onde você encontrará termos tão díspares quanto capitalismo e Belle and Sebastian, niilismo e hip-hop, entre uma série de ideias, teorias e pensamentos, algumas das quais remontam ao ensaio dos anos 50 escrito por Norman Mailer (The White Negro), onde ele estabelecia características dos então hipsters.
Em linhas gerais e bem resumidamente, o livro (ou os editores da n+1) considera que 1999 foi um ano-chave para o estabelecimento da cultura Hipster, e que seu auge teria ocorrido entre 2002 e 2003 e que, rest in peace, o hipster teria deixado de existir ali perto de 2005. A contradição fica por conta do termo ter sido largamente adotado em escala mais popular nos anos subsequentes, mais ainda: hipsters começaram a brotar na America Latina e afins. A discussão não conclui muita coisa, pra dizer a verdade, o livro nem mesmo conclui a classificação da tribo. Todos concordam que Hipsters são jovens, que a estética hipster se propagou graças a redes sociais e blogs, que hipsters são, em termos de moda, os ditos trend-setters ou early-adopters e que usam de ironia para consumir e construir estilos, numa busca desesperada por autenticidade (o que contradiz algo, já que criou-se um estigma para o hipster). Além disso, um hipster sempre parece mais cool que qualquer outra pessoa, e abusa do adjetivo para dar importância e atribuir particularidade ao que quer que seja. “Hip”, por definição do dicionário, é algo que está na moda. hipsters, portanto, são os que anunciam tudo o que ainda vamos amar.
Após a discussão confusa e cheia de referências, fico com a sensação de que querem dar ao hipster um conteúdo que talvez ele não tenha. Tentam associar alguma ideia política ao “movimento”, bem como valores sociais que talvez de fato não façam parte da tribo. Como se agregar um conteúdo sólido ao hipster o tornasse mais palpável, amigável e aceitável. Sim, aparentemente, ninguém gosta deles, o que é bem coerente quando sabemos que nem os próprios se assumem como tal.
Por alguma lógica às avessas, eu só cruzei com alguns punks empoeirados em Prenzlauer Berg, e encontrei o tal livro num bairro vizinho, esse sim com ares de hipster-friendly. O livro é divertido em diversas passagens, e, depois de alguma pesquisa, concluí que o trecho da contracapa define, por ora, o tão investigado hipster. Ele é parte do texto de Christian Lorentzen, que começa seu discurso negando que conheça qualquer pessoa que possa ser tachada de hipster: “No member of my Family, no close friend, no enemy, no teacher, (...) no robber, no cop, no priest, no nun, no hooker, no pimp (...)” Ele se desculpa por ter escrito artigos anteriores sobre hipsters e confessa, neste, que tal tipo nunca existiu.
A parte da contracapa é a que segue: “The truth was that there was no culture worth speaking of, and the people called hipsters just happened to be young and, more often than not, funny-looking.”
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Fernanda Brenner, artista plástica paulistana, tem uma bela série de desenhos de hipsters. Eles podiam ser encontrados na Loja do Bispo até o ano passado.
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Ainda em Berlin, dei de cara com esse caderninho:
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trilha sonora sugerida -
Blossom Dearie – I’m Hip - clique aqui.
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domingo, 22 de maio de 2011
Aula de natação
Eu não sou uma pessoa de bolsas, relógios, jóias, jeans premium ou óculos, e nem curto it-coisas. Mas no que diz respeito a sapatos e lingerie, tenho um faro imbatível e um nível de exigência que beira a psicopatia. Eu adoraria ser feliz na seção de calcinhas e sutiãs da Renner, o que é obviamente incompatível com meus gostos. Por um tempo ainda tentei, mas felizmente resolvi me aceitar e parei de lutar.
Toda vez que viajo, tenho portanto, um programa que já me sinto compelida a realizar: explorar o setor de lingerie das grandes e boas lojas de departamento. Já falei sobre o assunto por aqui, mas o que venho contar hoje é um pouquinho outra coisa.
Há anos sou fã da Eres, marca francesa que produz as mais lindas lingeries do mundo. É um equilíbrio de tecido, conforto e estética que nunca encontrei em outra marca. As peças são refinadas, mas nem por isso menos práticas. Eu até perdôo a pence preguiçosa nos sutiãs, tento ser compreensiva em tudo.
coleção Eres printemps 2011.
Sonho com o dia em que terei ao menos duas calcinhas da Eres na minha gaveta, mas os preços são de fato proibitivos. Eu ainda fico chocada com as cifras que um sutiã pode alcançar, confesso que sempre xingo quem quer que seja a pessoa responsável. Para minha surpresa, a Eres fabrica também os mais lindos maiôs do mundo, aqueles que nem Lenny Niemeyer sonharia desenhar (por associação, acabei ficando bem elitista no quesito moda praia também). Espalhadas por Paris, as propagandas dos maillots de bain da marca mostravam duas mulheres ao sol, numa foto que poderia ser de George Hoyningen-Huene ressuscitado.
coleção maillots de bain Eres printemps 2011.
George Hoyningen-Huene em fotos de 1928 e 1929.
Como eu disse em alguma linha acima, eu tento ser compreensiva: mas um maillot, por mais deslumbrante, não pode custar 400 euros. Com esses salários que temos e esse mar poluído, só memso concorrendo num edital da Petrobrás.
os maillots de 400 euros...
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