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domingo, 22 de maio de 2011

Aula de natação

Eu não sou uma pessoa de bolsas, relógios, jóias, jeans premium ou óculos, e nem curto it-coisas. Mas no que diz respeito a sapatos e lingerie, tenho um faro imbatível e um nível de exigência que beira a psicopatia. Eu adoraria ser feliz na seção de calcinhas e sutiãs da Renner, o que é obviamente incompatível com meus gostos. Por um tempo ainda tentei, mas felizmente resolvi me aceitar e parei de lutar.


Toda vez que viajo, tenho portanto, um programa que já me sinto compelida a realizar: explorar o setor de lingerie das grandes e boas lojas de departamento. Já falei sobre o assunto por aqui, mas o que venho contar hoje é um pouquinho outra coisa.



Há anos sou fã da Eres, marca francesa que produz as mais lindas lingeries do mundo. É um equilíbrio de tecido, conforto e estética que nunca encontrei em outra marca. As peças são refinadas, mas nem por isso menos práticas. Eu até perdôo a pence preguiçosa nos sutiãs, tento ser compreensiva em tudo.



 coleção Eres printemps 2011

Sonho com o dia em que terei ao menos duas calcinhas da Eres na minha gaveta, mas os preços são de fato proibitivos. Eu ainda fico chocada com as cifras que um sutiã pode alcançar, confesso que sempre xingo quem quer que seja a pessoa responsável. Para minha surpresa, a Eres fabrica também os mais lindos maiôs do mundo, aqueles que nem Lenny Niemeyer sonharia desenhar (por associação, acabei ficando bem elitista no quesito moda praia também). Espalhadas por Paris, as propagandas dos maillots de bain da marca mostravam duas mulheres ao sol, numa foto que poderia ser de George Hoyningen-Huene ressuscitado. 


coleção maillots de bain Eres printemps 2011. 
 George Hoyningen-Huene em fotos de 1928 e 1929. 

Como eu disse em alguma linha acima, eu tento ser compreensiva: mas um maillot, por mais deslumbrante, não pode custar 400 euros. Com esses salários que temos e esse mar poluído, só memso concorrendo num edital da Petrobrás.



 os maillots de 400 euros...

sábado, 21 de maio de 2011

Eu vou de Madame Grès

Você tem até 28 de agosto para saltar na estação Montparnasse-Bienvenüe da linha 4 do metrô parisiense. É só seguir a placa que aponta para o Musée Bourdelle e se maravilhar com a exposição de Madame Grès, a deusa dos plissados, do moulage e do minimalismo. A vida toda declarou que queria ser escultora, o que fica bastante claro em suas criações. Eu, que só conhecia algumas imagens clássicas e manjadas do trabalho de Alix Grès, fiquei encantada com seu rigor no corte, sua cartela de cor e suas formas que devem dar inveja de Yamamoto a Huis Clos. Mais detalhes sobre a mostra você encontra no site do museu, aqui.

Não só os vestidos me encheram os olhos, mas a disposição das peças também. As roupas estão organizadas de forma a nos fazer passear por todo o museu. Alguns espaços, como o que era o ateliê do escultor que dá nome ao museu, receberam apenas uma vitrine com um ou dois vestidos. É lindo de ver: um choque de violeta ou laranja em meio às ferramentas do escultor despertam não apenas para a obra de Madame como também para a casa de Antoine Bourdelle.

Dias depois, no Musée D'Orsay, fiquei feliz de ver algumas peças de Monsieur perto de trabalhos de Rodin.

Mas feliz mesmo eu fiquei quando me deparei com um vestido vinho de Madame que era precursor do modelito que eu usei um dia antes, na festa de casamento de uma grande amiga. A prova tá aí: